Após 15 anos Estaleiro Mauá retoma construção naval

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Estaleiro fluminense obtém Certidões Negativas de Débito após 15 anos, certifica seu setor de pintura no padrão Norsok e chega à Navalshore 2026 com plano de retomada da construção naval.
O Estaleiro Mauá, sediado em Niterói (RJ), anuncia três avanços: a certificação Norsok para pintura e revestimento, obtida em maio de 2026; a modernização do sistema de planejamento e controle de obras; e a retomada do perfil de construtor naval, impulsionada pela conquista das Certidões Negativas de Débito (CNDs) na primeira semana de julho, após 15 anos sem o documento.
Os anúncios antecedem a Navalshore 2026, principal feira da indústria marítima da América Latina, que acontece de 18 a 20 de agosto no Rio de Janeiro.
Certificação Norsok: novo patamar técnico
Em maio de 2026, o Estaleiro Mauá conquistou a certificação Norsok para pintura e revestimento. O Norsok é um padrão técnico desenvolvido pela indústria naval norueguesa e adotado pela cadeia global de óleo e gás.
Para obter a certificação, o estaleiro investiu em treinamento de equipes, cabine de pintura dedicada e sistema de armazenamento com controle de temperatura. A certificação amplia a capacidade da empresa de atender toda a indústria de óleo e gás, incluindo equipamentos subsea. "Não é só sobre recuperação judicial, a empresa está evoluindo tecnicamente também. Fizemos a certificação Norsok para pintura, investimos em cabine, em armazenamento com controle de temperatura, tudo para atender essa demanda. Com isso, conseguimos atender toda a indústria de óleo e gás, não só um cliente específico", afirma Miro Arantes, CEO do Estaleiro Mauá.
Planejamento e controle: gestão híbrida para uma operação mais previsível
A companhia também reestrutura o planejamento e controle de obras, adotando frameworks usados pelo mercado internacional. Uma das mudanças é o uso de Job Cards, cartões de trabalho individuais, integrados ao planejamento macro e à área financeira. O reparo naval é mais imprevisível que a construção: o real escopo de um problema muitas vezes só aparece com a embarcação já no estaleiro. Por isso a empresa adotou um modelo híbrido, que une a previsibilidade do planejamento tradicional à flexibilidade de frameworks ágeis para lidar com imprevistos e recursos finitos, como engenharia e mão de obra. A companhia já operou 18 projetos simultâneos. Sem gestão integrada de portfólio, projetos individuais disputam os mesmos recursos e atrasam.
O novo sistema, apoiado em tecnologia e inteligência artificial, trata o conjunto de obras como portfólio único.
"Estamos investindo em um modelo de planejamento integrado que conecta todas as etapas da operação do estaleiro. Essa visão de conjunto é o que nos permite ganhar eficiência, previsibilidade e entregar com a consistência que nossos clientes esperam", afirma Marcelo Arantes, Diretor Industrial.
Retomada do perfil de construtor naval
Antes de se tornar referência em reparo naval, o Estaleiro Mauá construiu o primeiro petroleiro do Brasil, a primeira plataforma e o primeiro navio cargueiro nacional. Em recuperação judicial, a empresa une agora avanço técnico e saneamento financeiro para voltar a construir navios, com foco no segmento offshore. A conquista das CNDs, na primeira semana de julho, é um marco: o documento, sem emissão havia 15 anos, permite ao estaleiro participar de concorrências públicas e mostra a clientes privados que os tributos estão em dia.
Nos cais, a retomada já aparece com a fase de acabamento contratada pela Posidonia para os navios Iara e Arlete que chegaram com cascos prontos e grande parte do outfitting concluído. Agora passam por novas aprovações, remontagem de equipamentos, troca do sistema de tanques e de propulsão, e execução das acomodações. Os dois projetos funcionam como treinamento para a retomada da construção naval.
"O Estaleiro Mauá tem uma vocação primeira, que é a construção naval. Foi o estaleiro que construiu o primeiro petroleiro do Brasil, a primeira plataforma e o primeiro navio cargueiro do país. Não é possível esquecer essa história", destaca Miro Arantes.
"Estamos nos qualificando novamente para voltar a construir navios, principalmente navios offshore, tendo os navios Iara e Arlete como um treinamento para esse retorno", projeta o executivo.











