9 de setembro de 2026

Homem percorre 2.200km por trilhas que cortam o estado do RJ

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Após 127 dias de aventura, a primeira expedição de teste da Volta ao Rio foi concluída nesta terça-feira (8), no Cristo Redentor, no Parque Nacional da Tijuca. A iniciativa apresenta uma nova proposta de trilha de longo curso no estado do Rio de Janeiro, com a intenção de ampliar as possibilidades de turismo de natureza e conectar diferentes regiões fluminenses.


A jornada foi realizada pelo mineiro Luiz Aragão, de 60 anos, morador de Taubaté (SP), que percorreu cerca de 2.200 quilômetros do circuito. Quando estiver totalmente estruturada, a rota deverá alcançar aproximadamente 3.500 quilômetros. O percurso teve início em 1º de maio, no mesmo ponto em que terminou, e serviu como uma experiência prática para avaliar as condições e a logística necessárias à implantação do trajeto.


Voluntário para realizar o primeiro teste completo, Aragão enfrentou uma proposta que reúne caminhada, ciclismo e navegação em caiaque. Durante o percurso, foram observadas questões como tempo de deslocamento, disponibilidade de hospedagem, acesso à internet, existência de banheiros, locais para aluguel de equipamentos e outros serviços importantes para quem pretende percorrer a trilha.


Além dos aspectos técnicos, a experiência também foi marcada pelo contato com moradores das localidades atravessadas pela rota. Uma das principais dúvidas antes da viagem era justamente como seria a recepção ao longo de milhares de quilômetros. A hospitalidade encontrada em diferentes pontos do caminho acabou se tornando uma das características mais marcantes da expedição e contribuiu para uma percepção mais positiva sobre as relações humanas nas comunidades visitadas.

A diversidade de meios de transporte foi outro elemento fundamental do projeto. Em determinados trechos, foi necessário deixar a caminhada para seguir de bicicleta e, posteriormente, utilizar o caiaque, muitas vezes transportando a própria mochila e os equipamentos. Entre as experiências de maior destaque esteve o trecho que partiu do Parque Estadual do Desengano em direção ao litoral, incluindo cerca de 100 quilômetros de navegação pelo Rio Paraíba do Sul.


Todas as informações reunidas durante a expedição deverão ajudar na organização definitiva do circuito. Os registros poderão servir de base para a publicação de dados sobre altimetria, disponibilidade de água, hospedagem, pontos de apoio, resgate e demais aspectos relacionados à logística. A expectativa é que esse conjunto de informações seja disponibilizado no site oficial da trilha, facilitando o planejamento dos futuros visitantes.


Com potencial para se tornar o maior circuito de ecoturismo do estado, a Volta ao Rio também pretende estimular a economia de municípios do interior. O levantamento realizado durante a expedição identificou uma estrutura formada por pequenos produtores rurais, pousadas comunitárias, proprietários de sítios, condutores de visitantes, comunidades tradicionais e distritos rurais.


A proposta permite que cada visitante organize a própria experiência, selecionando trechos e atividades de acordo com seus interesses, preparo físico e disponibilidade de tempo. A circulação de turistas por essas localidades pode ainda ampliar a geração de renda e fortalecer negócios ligados à hospedagem, alimentação, transporte, condução de grupos e prestação de serviços.


Outro diferencial está na integração com áreas protegidas. O circuito reúne quase 100 unidades de conservação, aproximando parques e outras áreas ambientais administradas pelas diferentes esferas de governo. Entre os locais incluídos estão o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o Parque Estadual dos Três Picos e o Parque Nacional do Itatiaia, primeira unidade do país criada nessa categoria.


A rota também estabelece uma ligação entre alguns dos principais cartões-postais fluminenses e regiões de natureza ainda pouco conhecidas pelo turismo convencional. Cristo Redentor e Pão de Açúcar aparecem conectados a paisagens que se estendem dos campos de altitude da Região Serrana até áreas do litoral da Costa Verde e da Região dos Lagos.


A presença de visitantes ao longo do percurso também é vista como uma aliada da conservação ambiental. A utilização contínua das trilhas pode ampliar a vigilância e a ocupação responsável dos territórios, ajudando a reduzir problemas como caça, desmatamento e circulação irregular de animais em áreas protegidas.


Idealizada e administrada pela Rede Brasileira de Trilhas em parceria com instituições ligadas à área ambiental, a Volta ao Rio busca integrar conservação, turismo e desenvolvimento sustentável. Participam da iniciativa órgãos como o ICMBio e o Inea, além de representantes dos municípios envolvidos.


O projeto tem como horizonte conectar os 92 municípios do estado por meio de uma ampla rede de trilhas. A expedição inaugural já contribuiu para mobilizar mais de 50 cidades, enquanto novas localidades demonstram interesse em participar da iniciativa.


Com a expansão da rede e a consolidação das informações levantadas durante o percurso experimental, a expectativa é transformar a Trilha Nacional Volta ao Rio em um dos grandes produtos de turismo de natureza do Brasil. O projeto também pretende fortalecer a imagem do Rio de Janeiro como destino internacional para atividades ao ar livre, aventura e turismo sustentável.


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