Biscoito Globo leva herdeiros e sócios a travarem uma longa batalha judicial

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O Biscoito Globo, ícone das praias cariocas, está no centro de uma disputa judicial que se arrasta há cerca de dez anos. O conflito começou em 2015, após a morte de João Pedro Ponce Fernandes, um dos fundadores da marca. Sua participação de 25% na sociedade deveria ser destinada à viúva e às três filhas, mas o valor apresentado em balanço — cerca de 90 mil reais — foi considerado muito abaixo do real. A família questiona que ativos intangíveis, como a força da marca e sua reputação, não foram incluídos na avaliação.
Desde então, o processo enfrenta sucessivos atrasos. Uma perícia foi determinada em 2018, mas ainda não concluída. Em janeiro de 2026, houve nova reviravolta: o desembargador responsável se declarou impedido e o caso precisou ser redistribuído. A expectativa é de que a disputa ainda se estenda por anos, já que a metodologia de cálculo e o acesso a documentos internos são pontos de constante contestação.

Enquanto a briga judicial segue, o biscoito de polvilho mais famoso do Rio continua sendo vendido nas areias e supermercados. Criado em 1950, em São Paulo, a produção do biscoito sem mudou para o Rio de Janeiro em 1954, onde o Globo se tornou um grande sucesso de vendas e parte da memória afetiva dos cariocas. Em 2023, a marca passou por uma modernização visual, reforçando sua presença em diferentes pontos de venda sem perder o vínculo com os ambulantes que ajudaram a construir sua fama.
A disputa evidencia como empresas familiares podem enfrentar impasses quando o valor de ativos intangíveis — como marca, tradição e clientela — não é devidamente reconhecido. Para especialistas, acordos entre herdeiros e sócios seriam a saída mais rápida, mas, até agora, prevalece o impasse jurídico.


















