Canetas emagrecedoras viram alvo de quadrilhas no Rio

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No Rio de Janeiro, um novo tipo de crime vem ganhando força: o roubo de canetas emagrecedoras. Desde meados de 2025, farmácias passaram a ser alvo frequente de quadrilhas que buscam esses medicamentos de alto valor, pequenos e fáceis de transportar. Originalmente indicados para pacientes com diabetes tipo 2, eles se tornaram objeto de desejo de quem busca emagrecimento rápido, alimentando um mercado paralelo que dispensa receita médica.
Entre os produtos mais visados estão o Ozempic, Wegovy, Saxenda e Mounjaro, todos à base de agonistas do GLP-1. A procura intensa e os estoques limitados transformaram essas substâncias em alvo de assaltos violentos e contrabando. A Polícia Civil já desmantelou esquemas que falsificavam os medicamentos ou desviavam cargas inteiras, enquanto a Abrafarma alerta para anúncios ilegais circulando abertamente em redes sociais e aplicativos de mensagens.

A pressão estética também ajuda a explicar o fenômeno. Em uma cidade marcada pelo culto ao corpo, filtros de redes sociais e padrões de beleza rígidos impulsionam a demanda por soluções rápidas. Médicos alertam que o uso indiscriminado pode trazer riscos graves, como pancreatite aguda e até morte. A Anvisa já registrou dezenas de notificações de óbitos suspeitos e milhares de eventos adversos relacionados ao consumo dessas substâncias.
Os números impressionam: em São Paulo, mais de 59 mil canetas foram roubadas em 2025, gerando prejuízos milionários. No Rio, casos se multiplicam em bairros como Barra da Tijuca, Laranjeiras e Jacarepaguá, com farmácias assaltadas repetidas vezes. A Polícia Federal também identificou rotas de contrabando vindas do Paraguai e apreendeu milhares de unidades em operações recentes.
O cenário mostra como a busca pelo corpo perfeito se transformou em oportunidade para o crime organizado. Com alto valor de revenda, demanda crescente e riscos à saúde pública, as canetas emagrecedoras se tornaram símbolo de um mercado clandestino que mistura estética, insegurança e ilegalidade.


















